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MGK organiza rap e pop-punk em show direto no Rock in Rio
Com 16 músicas, MGK concentrou o show em sua fase de guitarras, preservou o rap de Cleveland e montou uma sequência que explica sua trajetória sem transformar o Palco Mundo em retrospectiva.

MGK subiu ao Palco Mundo do Rock in Rio no sábado, 5 de setembro, com uma tarefa pouco simples. Escalado entre a despedida do Sepultura e o show do Bring Me The Horizon, ele precisava apresentar uma carreira que mudou de eixo mais de uma vez. O caminho escolhido foi prático: 16 músicas, poucas interrupções e uma concentração clara no pop-punk que o levou a outro patamar comercial na década de 2020.
Três músicas explicam o ponto de partida
A abertura reuniu "Fix Ur Face", "WWIII" e "Till I Die". Em poucos minutos, o set colocou lado a lado a distorção recente, a velocidade do punk e a ligação de MGK com o rap de Cleveland. A sequência funcionou como apresentação do artista que ele é hoje, sem apagar o MC que lançou General Admission em 2015.
"I Think I'm OKAY" veio logo depois e abriu o bloco mais consistente da apresentação. "dont wait run fast", "maybe", "bloody valentine" e "forget me too" mantiveram as guitarras na frente e concentraram algumas das canções que definiram sua virada para o pop-punk. A decisão deu unidade ao show. MGK não tratou cada fase como um compartimento separado; fez as músicas de rap e rock ocuparem a mesma linha de tempo.
Tickets to My Downfall ocupa o centro
O dado mais revelador está na distribuição do repertório. Oito das 16 músicas vieram de Tickets to My Downfall, álbum de 2020 que marcou a parceria com Travis Barker e recolocou o pop-punk nas paradas. Mainstream Sellout apareceu com três faixas, enquanto Lost Americana teve duas.
Essa escolha evitou que o espaço de festival virasse uma apresentação excessivamente dependente do disco mais recente. "lonely", "concert for aliens", "title track" e "nothing inside" deram ao miolo do show uma identidade reconhecível, com refrões curtos e arranjos construídos para banda. "born with horns" e "papercuts" ampliaram a carga de guitarras sem interromper a sequência.
Há uma leitura positiva nessa concentração. MGK poderia tentar provar versatilidade trocando de linguagem a cada música. Preferiu sustentar o formato que melhor conversa com a escala do Palco Mundo. O rap apareceu onde tinha função, especialmente em "Till I Die", enquanto o restante do set se apoiou no catálogo que o aproximou de uma nova geração do rock alternativo.
Um encerramento sem desvio
As três últimas músicas foram "papercuts", "vampire diaries" e "my ex's best friend". A ordem também foi bem calculada. "papercuts" trouxe o peso mais ríspido de Mainstream Sellout, "vampire diaries" representou Lost Americana e "my ex's best friend" encerrou com um dos singles mais reconhecidos de sua fase pop-punk.
O show do Rock in Rio deixou uma conclusão objetiva sobre o momento de MGK. Sua trajetória pode ter começado no rap, porém o palco atual está organizado ao redor de guitarras, bateria e canções de três minutos. Ao selecionar o repertório com esse foco e preservar pontos importantes do passado, ele apresentou um conjunto coeso em um dia dominado pelo metal.
