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Bring Me The Horizon percorre cinco fases no Rock in Rio
Com 13 músicas e interlúdios, o Bring Me The Horizon reuniu cinco discos, chamou um fã para Pray for Plagues e encerrou com Can You Feel My Heart.

O Bring Me The Horizon apresentou no Rock in Rio, na noite de sábado, 5 de setembro, um show que tratou sua própria mudança sonora como matéria principal. Em 80 minutos, a banda britânica passou pelo deathcore de Count Your Blessings, pelo metalcore de Sempiternal, pelos refrões de That's the Spirit e pela produção eletrônica da série Post Human.
Foram 13 músicas, além de interlúdios que mantiveram a estética de videogame e ficção científica usada na fase Post Human: NeX GEn. Essa moldura não substituiu as canções. Ela serviu para ligar repertórios gravados em momentos muito diferentes.
Darkside e The House of Wolves abrem o percurso
"DArkSide" abriu a apresentação e foi seguida por "The House of Wolves". A dupla resume bem o método do show. A primeira representa a produção recente, com eletrônica integrada às guitarras; a segunda veio de Sempiternal, disco de 2013 que consolidou a transição do grupo para estruturas mais amplas.
"Happy Song" e "Teardrops" vieram depois. O público respondeu aos comandos de Oli Sykes, com rodas abertas no gramado e coros registrados durante a transmissão. A reação teve uma causa identificável: são músicas construídas sobre frases repetidas, pausas claras e entradas que funcionam em espaços grandes.
A presença de "Dehumanized", versão recente de uma faixa do primeiro período, reforçou a disposição da banda de recolocar o material pesado dentro do espetáculo atual. Na sequência, "Kool-Aid" e "Shadow Moses" mantiveram o diálogo entre 2024 e 2013 sem transformar o set em uma linha cronológica.
Pray for Plagues ganha participação brasileira
O ponto mais específico da noite ocorreu em "Pray for Plagues". Sykes chamou um fã brasileiro ao palco para dividir os vocais da música, lançada em 2006. A escolha tinha peso dentro da história do Bring Me The Horizon: o grupo passou anos distante daquele repertório e voltou a tocá-lo de forma mais consistente em 2026.
A participação funcionou porque a música não apareceu como curiosidade isolada. "Pray for Plagues" entrou depois de "Kingslayer", faixa acelerada de Post Human: Survival Horror, e antes de "Doomed", uma das composições mais atmosféricas de That's the Spirit. Em três movimentos, o show foi do eletrônico agressivo ao deathcore e então a um arranjo amplo, sustentado por teclados e guitarra.
Sykes também falou em português, levantou uma bandeira do Brasil e brincou com o fato de ter CPF e Pix. São gestos simples, mas coerentes com uma relação que ganhou um capítulo grande no Allianz Parque, em 2024, e depois virou lançamento ao vivo e filme. No Rock in Rio, essa proximidade apareceu dentro de um show pensado para o festival, sem repetir integralmente aquela apresentação.
Can You Feel My Heart fecha o show
O trecho final reuniu "Drown", "Throne" e "Can You Feel My Heart". A última não encerrava uma apresentação da banda desde 2021, segundo o histórico de repertórios. Sua volta a essa posição foi uma boa escolha: o sintetizador inicial é reconhecido antes da entrada completa da banda e oferece um fechamento imediato, sem exigir um bis prolongado.
A apresentação confirmou uma qualidade que o Bring Me The Horizon construiu ao longo de duas décadas. Poucas bandas de sua geração conseguem colocar uma faixa de deathcore, um hit moldado por eletrônica e um refrão de arena no mesmo show sem parecer três projetos diferentes. No Rock in Rio, essa ligação ficou visível nas músicas escolhidas e na forma como os interlúdios organizaram a passagem entre elas.
