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Efemérides

In Love and Death, do The Used, completa 22 anos

Segundo álbum da banda transformou luto e instabilidade em um repertório central do emo dos anos 2000, com “All That I've Got” e “I Caught Fire”.

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In Love and Death, do The Used, completa 22 anos

Lançado em 28 de setembro de 2004, In Love and Death completa 22 anos como o disco que levou o The Used a uma escala maior sem abandonar a tensão emocional de sua estreia. O segundo álbum da banda de Utah reuniu 12 faixas na edição original e recebeu depois uma versão com a colaboração com o My Chemical Romance em “Under Pressure”.

A Apple Music registra o lançamento pela Reprise Records. O AllMusic credita John Feldmann pela produção, engenharia, mixagem e arranjos de cordas. Feldmann já havia produzido o álbum autointitulado de 2002 e ajudou o grupo a organizar uma combinação que se tornaria reconhecível na cena: guitarras de post-hardcore, refrões de alcance pop, gritos e baladas construídas sem separar peso e vulnerabilidade.

Um disco escrito entre amor, morte e perda

O título resume o eixo lírico. Bert McCracken escreveu durante um período marcado por luto, dependência química e mudanças pessoais. Em 2026, parte desse processo ganhou um documento direto com In Love and Death: The Lost Notebook. O projeto apresenta o caderno usado pelo vocalista na criação do álbum, recuperado depois de duas décadas, com rascunhos, letras e reflexões sobre dor, vício, criatividade e sobrevivência.

Essa origem dá contexto a músicas que evitam tratar tristeza de forma abstrata. “All That I've Got” transforma ausência em um refrão amplo, enquanto “Hard to Say” trabalha uma perda de modo mais contido. “I'm a Fake” encerra a edição original com uma leitura teatral de culpa e autodestruição. Mesmo quando a produção cresce, a escrita preserva detalhes pessoais e desconfortáveis.

Singles que ampliaram o público do The Used

“Take It Away” abre o disco com bateria acelerada e alternância entre canto e gritos. “I Caught Fire” se apoia em uma melodia mais direta, e “All That I've Got” virou o principal ponto de entrada do álbum para parte do público. “Cut Up Angels” e “Let It Bleed” completam um repertório que circula entre emo, punk e post-hardcore sem depender de uma divisão rígida entre faixas pesadas e lentas.

O álbum também é o último trabalho de estúdio do The Used com o baterista Branden Steineckert. Sua execução participa da identidade das gravações, com caixas muito presentes e mudanças rápidas que sustentam tanto os trechos agressivos quanto os refrões abertos.

Permanência dentro da cultura emo

O alcance do disco não ficou preso ao ciclo de 2004. Em 2024, o The Used tocou In Love and Death na íntegra no When We Were Young. No ano seguinte, a banda organizou uma turnê de 25 anos com noites dedicadas aos três primeiros álbuns; o segundo deles voltou ao palco em sequência completa.

Essas revisitas ajudam a medir o lugar do trabalho na trajetória do grupo. In Love and Death preservou a intensidade do primeiro álbum, mas ofereceu canções com estrutura mais acessível e produção mais ampla. Vinte e dois anos depois, o disco permanece como uma referência do momento em que o emo e o post-hardcore chegaram a um público de massa sem perder a linguagem confessional que sustentava a cena.

Fontes consultadas