Efemérides
“Alone”, do The Cure, completa dois anos como marco do retorno
Primeira música inédita da banda em 16 anos abriu Songs of a Lost World, definiu o tom do álbum e venceu o Grammy em 2026.

“Alone”, do The Cure, completa dois anos neste sábado, 26 de setembro. Lançada em 2024, a faixa encerrou um intervalo de 16 anos sem música inédita de estúdio da banda e apresentou oficialmente Songs of a Lost World, álbum que chegaria em 1º de novembro daquele ano. O single transformou uma longa espera em um retorno de quase sete minutos, com mais de três deles dedicados à introdução instrumental.
A música já era conhecida de quem acompanhava os shows. O The Cure estreou “Alone” ao vivo em outubro de 2022, em Riga, e passou a usá-la na abertura da turnê Shows of a Lost World. A versão de estúdio, porém, deu forma definitiva ao anúncio do primeiro álbum do grupo desde 4:13 Dream, de 2008.
A faixa que organizou o novo álbum
Robert Smith explicou, na época do lançamento, que “Alone” foi a composição que destravou o disco. Depois de gravar a base instrumental, ele entendeu que aquela deveria ser a música de abertura e encontrou a direção para o restante do repertório. A letra partiu da ideia de isolamento e incorporou uma referência ao poema “Dregs”, de Ernest Dowson.
A estrutura evita a pressa de um single convencional. Teclados formam uma camada contínua, a bateria sustenta um andamento lento e as guitarras de Reeves Gabrels ocupam o espaço antes da entrada da voz. Quando Smith começa a cantar, a faixa já estabeleceu o ambiente de perda, envelhecimento e finitude que atravessaria Songs of a Lost World.
Esse desenho também explica por que “Alone” funcionou como apresentação do álbum sem resumir toda a carreira do The Cure. A canção recupera a escala de aberturas como “Plainsong”, mas fala a partir de outro momento de vida. A produção não busca reproduzir um sucesso antigo nem acelerar a música para atender ao formato de rádio.
Do retorno ao primeiro Grammy
A recepção posterior confirmou que o single tinha peso próprio. Em sua crítica de Songs of a Lost World, a Pitchfork apontou “Alone” como exemplo de como o rock pode envelhecer sem tentar esconder o tempo. O álbum colocou a música na abertura e desenvolveu, nas sete faixas seguintes, os temas apresentados ali.
Em fevereiro de 2026, “Alone” venceu o Grammy de Melhor Performance de Música Alternativa. Foi o primeiro prêmio da carreira do The Cure na cerimônia. Na mesma noite, Songs of a Lost World recebeu o troféu de Melhor Álbum de Música Alternativa. A conquista acrescentou uma medida objetiva à relevância da faixa, dois anos depois de sua estreia digital.
A importância de “Alone” está na função que cumpriu. Ela encerrou um hiato longo, definiu a linguagem do retorno e sustentou o começo de um disco recebido como uma obra completa, sem depender apenas da nostalgia em torno da banda. Dois anos depois, permanece como o ponto em que o The Cure transformou anos de promessas e apresentações ao vivo em um novo capítulo de estúdio.
