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Efemérides

Reise, Reise, do Rammstein, completa 22 anos

Quarto álbum da banda alemã ampliou o alcance do metal industrial com “Mein Teil”, “Amerika”, “Keine Lust” e uma produção menos uniforme.

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Reise, Reise, do Rammstein, completa 22 anos

Lançado em 27 de setembro de 2004, Reise, Reise completa 22 anos como um dos discos que consolidaram o Rammstein fora do circuito alemão. O quarto álbum de estúdio do grupo chegou com 11 faixas e transformou a expansão internacional iniciada por Sehnsucht e Mutter em uma obra capaz de alternar peso mecânico, orquestrações, humor ácido e melodias mais abertas.

O próprio catálogo oficial do Rammstein registra que o álbum entrou imediatamente no Top 10 de diferentes mercados europeus. A Apple Music lista o lançamento pela Vertigo/Capitol, enquanto os créditos do AllMusic apontam novamente Jacob Hellner como produtor ao lado da banda. Era uma parceria já decisiva na discografia do grupo, mas aqui o desenho sonoro passou a comportar contrastes mais evidentes.

Um álbum construído em torno de deslocamento e risco

O título usa a expressão marítima alemã “Reise, Reise”, uma chamada para que os marinheiros despertem. A capa reproduz a aparência de uma caixa-preta de avião, e a edição original europeia escondia antes da primeira faixa um trecho de gravação relacionado ao desastre do voo Japan Airlines 123. Esse elemento não funciona apenas como provocação gráfica: viagem, perigo e deslocamento atravessam o repertório.

A faixa-título abre o disco com uma marcha pesada e solene. “Dalai Lama” reelabora a balada alemã Der Erlkönig em um voo marcado pelo medo. “Moskau” e “Amerika” deslocam o olhar para identidades nacionais, turismo e consumo cultural. A última virou um dos comentários mais diretos do Rammstein sobre a influência dos Estados Unidos, com refrão bilíngue deliberadamente fácil de reconhecer.

Quatro singles e um repertório menos previsível

“Mein Teil”, inspirada no caso criminal de Armin Meiwes, apresentou o álbum antes de seu lançamento e rendeu ao Rammstein uma indicação ao Grammy. “Amerika”, “Ohne dich” e “Keine Lust” completaram a sequência de singles. Os vídeos mantiveram a linguagem visual teatral da banda e ampliaram o alcance de músicas que já funcionavam com imagens fortes próprias.

O disco também abriu espaço para registros menos rígidos. “Los” usa violões e uma pulsação próxima do blues, enquanto “Ohne dich” reduz a pressão das guitarras para destacar melodia e arranjo. Essa variação tornou Reise, Reise menos linear do que Mutter sem abandonar a combinação de riffs repetitivos, teclados e a voz grave de Till Lindemann.

O lugar de Reise, Reise na discografia

O material gravado naquele período foi abundante. Parte das músicas deixadas de fora apareceu no álbum seguinte, Rosenrot, lançado em 2005. Isso ajuda a entender Reise, Reise como centro de uma fase produtiva própria, e não como uma simples continuação do sucesso anterior.

Vinte e dois anos depois, “Mein Teil”, “Keine Lust”, “Amerika” e “Ohne dich” seguem entre as faixas mais reconhecidas do catálogo. O disco documenta um Rammstein já grande o suficiente para ocupar arenas e ainda disposto a alterar a forma de suas músicas. Sua importância está nessa combinação: ampliou a escala internacional da banda sem reduzir sua obra a uma fórmula única.

Fontes consultadas