Efemérides
“Na Na Na”, do My Chemical Romance, completa 16 anos
Single abriu a fase de Danger Days, encerrou o bloqueio criativo após The Black Parade e reapareceu em versão remasterizada em 2026.

Lançada em 28 de setembro de 2010, “Na Na Na (Na Na Na Na Na Na Na Na Na)” completa 16 anos como a música que anunciou a mudança mais radical do My Chemical Romance. Primeiro single de Danger Days: The True Lives of the Fabulous Killjoys, a faixa apresentou uma banda mais colorida, veloz e abertamente ligada ao punk, depois da escala teatral e sombria de The Black Parade.
A data aparece no catálogo da Apple Music. O single chegou dois meses antes do quarto álbum, que sairia em novembro pela Reprise. Em pouco mais de três minutos, guitarras aceleradas, bateria direta e um refrão construído sobre repetição condensaram a proposta do novo ciclo. A música também abriu espaço para a mitologia dos Killjoys, personagens que passaram a organizar os vídeos, a identidade visual e parte da narrativa do disco.
A faixa que destravou Danger Days
A importância de “Na Na Na” começa antes de seu lançamento. Depois da longa turnê de The Black Parade, o My Chemical Romance entrou em estúdio com Brendan O’Brien para fazer um álbum mais simples e sem personagens. As sessões produziram material que depois seria recuperado em Conventional Weapons, mas a banda não ficou satisfeita com o conjunto e decidiu recomeçar.
Em entrevista publicada originalmente em 2011 e republicada pela Guitar World em 2026, Frank Iero apontou “Na Na Na” e “Planetary (GO!)” como as músicas que mostraram que o grupo havia voltado a criar sem impor regras ao processo. Ray Toro descreveu a retomada com Rob Cavallo, produtor de The Black Parade, como uma fase em que a banda recuperou o entusiasmo pelo estúdio. “Bulletproof Heart”, “Party Poison” e “The Only Hope for Me Is You” sobreviveram das sessões anteriores, mas foram regravadas para o novo álbum.
“Na Na Na” virou, assim, a primeira demonstração pública dessa reconstrução. O arranjo deixa pouco espaço entre versos, guitarras e refrão, enquanto a letra mistura slogans, imagens de consumo e confronto. A velocidade não funciona apenas como efeito: ela separa imediatamente Danger Days do ritmo solene que havia definido boa parte do disco anterior.
Killjoys, deserto e uma nova identidade visual
O videoclipe ampliou a ruptura. O conceito desenvolvido por Gerard Way e Shaun Simon transformou os integrantes em Party Poison, Jet Star, Fun Ghoul e Kobra Kid, combatentes em uma Califórnia pós-apocalíptica dominada pela corporação Better Living Industries. A direção ficou com Way e Robert Schober. O deserto, as cores saturadas, o Trans Am e as armas de raios substituíram uniformes negros, hospitais e procissões. A história continuou em “SING” e depois nos quadrinhos The True Lives of the Fabulous Killjoys.
Essa combinação de música e imagem ajudou “Na Na Na” a funcionar como porta de entrada para todo o projeto. A faixa não foi apenas escolhida para divulgar um álbum pronto; ela forneceu ritmo, vocabulário e personagens para a fase que o My Chemical Romance estava construindo.
A recuperação em 2026
A música voltou ao centro do catálogo neste ano. Em julho, a Reprise e a Warner lançaram a edição deluxe de Danger Days com o álbum remasterizado e nove faixas extras. O pacote inclui uma versão de “Na Na Na” gravada para a BBC Radio 1, além de “Zero Percent”, músicas do EP The Mad Gear and Missile Kid e registros do iTunes Festival de 2011. O clipe oficial também ganhou remasterização em 4K.
Dezesseis anos depois, “Na Na Na” permanece como registro do momento em que o My Chemical Romance abandonou um disco que não o convencia e encontrou outra direção. A canção apresentou essa virada sem explicação longa: bastaram velocidade, cor e um refrão impossível de separar da era dos Killjoys.
