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Gilberto Gil homenageia Rita Lee e Barão Vermelho em possível despedida do Rock in Rio
Aos 84 anos, Gil apresentou um show criado para o festival, abriu com canções sobre tecnologia e incluiu Ovelha Negra e Pro Dia Nascer Feliz.

Gilberto Gil voltou ao Palco Mundo do Rock in Rio nesta segunda-feira, 7 de setembro, com um show criado para o festival e diferente da turnê Tempo Rei. Aos 84 anos, o músico usou a apresentação para olhar sua própria história sem simplesmente repetir o roteiro da despedida que percorreu o país.
A abertura reuniu Cérebro Eletrônico e Pela Internet, duas músicas separadas por quase três décadas. A escolha aproximou a desconfiança diante das máquinas, registrada por Gil em 1969, da curiosidade com que ele tratou a internet em 1997. No palco, o cantor também falou sobre inteligência artificial e democracia.
Depois vieram Andar com Fé e Toda Menina Baiana. O começo resumiu a lógica do show: canções reconhecidas de imediato entraram ao lado de peças escolhidas especificamente para aquela noite.
Rita Lee, Barão Vermelho e Bob Marley entram no programa
O bloco de versões ampliou o alcance da apresentação. Gil cantou Rebel Music (3 O'Clock Roadblock), de Bob Marley and the Wailers, retomando uma ligação com o reggae que atravessa sua obra desde os anos 1970. Vamos Fugir, composta por Gil e Liminha, apareceu com o produtor e baixista na formação do show.
A homenagem ao rock brasileiro veio em duas escolhas diretas. Ovelha Negra, de Rita Lee, foi seguida por Pro Dia Nascer Feliz, do Barão Vermelho. As músicas não funcionaram como citações soltas. Gil foi contemporâneo da formação dessas cenas e ajudou a abrir espaço, dentro da música popular brasileira, para a guitarra, o reggae e a linguagem pop sem tratar esses elementos como compartimentos separados.
O repertório confirmado também incluiu Realce, Palco, Superhomem, a Canção, Esperando na Janela, Maracatu Atômico, Divino, Maravilhoso, Aquele Abraço e um trecho final com Atrás do Trio Elétrico. A seleção percorreu décadas e evitou transformar a apresentação em uma repetição reduzida dos maiores sucessos.
Uma relação que começou em 1985
Gil participou da primeira edição do Rock in Rio, em 1985. Na época, apresentou-se em duas noites, num festival que ainda buscava provar a viabilidade de um evento daquele porte no Brasil. O retorno de 2026 aconteceu durante a fase posterior à turnê Tempo Rei, anunciada como sua despedida de grandes turnês.
Durante o show, o cantor lembrou a estreia e disse que aquela talvez fosse sua última participação no festival. A frase foi apresentada como possibilidade, não como anúncio definitivo. Gil afirmou que precisa descansar e deixou a decisão em aberto.
Esse cuidado importa porque o músico continuou se apresentando depois do encerramento formal de Tempo Rei. O Rock in Rio recebeu um programa próprio, com mudanças suficientes para justificar a data como capítulo independente da turnê. A organização já havia anunciado que o show seria concebido especialmente para o festival.
O possível adeus teve repertório próprio
A leitura de despedida encontra fundamento na fala de Gil e na relação iniciada há 41 anos. O que sustentou o show, porém, foram decisões concretas: começar por duas canções sobre tecnologia, colocar Bob Marley ao lado de sucessos brasileiros e reservar espaço para Rita Lee e Barão Vermelho.
Gil não confirmou aposentadoria dos palcos nem encerrou formalmente sua trajetória no festival. A apresentação de 7 de setembro registra, por enquanto, um possível último Rock in Rio com material escolhido para aquela noite, distante de um resumo automático da carreira.
