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Efemérides

Neighborhoods, do Blink-182, completa 15 anos

Lançado em 27 de setembro de 2011, o sexto álbum do Blink-182 marcou a primeira reunião do trio após a ruptura de 2005 e registrou uma banda ainda criativamente distante.

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Neighborhoods, do Blink-182, completa 15 anos

Lançado em 27 de setembro de 2011, Neighborhoods completa 15 anos neste domingo como um dos capítulos mais particulares da história do Blink-182. O sexto álbum de estúdio encerrou um intervalo de oito anos sem material inédito do trio formado por Mark Hoppus, Tom DeLonge e Travis Barker. Também colocou em disco uma reunião que já havia levado a banda de volta aos palcos, mas ainda funcionava sob as marcas da ruptura anunciada em 2005.

A volta ganhou forma depois do acidente aéreo sofrido por Barker em setembro de 2008. Hoppus e DeLonge retomaram contato com o baterista durante sua recuperação, e o Blink-182 confirmou publicamente a reunião em fevereiro de 2009. Os shows vieram primeiro. O trabalho efetivo no álbum começou no ano seguinte, depois de apresentações que incluíram a passagem pelo Reading Festival em agosto de 2010.

Uma reunião gravada à distância

Neighborhoods foi o primeiro álbum do Blink-182 sem um produtor externo. Jerry Finn, responsável pelos discos que consolidaram a banda entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000, morreu em 2008. Sem ele, o trio assumiu a produção e dividiu as sessões entre o estúdio de Barker em Los Angeles e o espaço de DeLonge em San Diego.

A separação geográfica definiu o processo. Os integrantes se encontravam ocasionalmente, trabalhavam partes individuais e trocavam arquivos entre os dois estúdios. Anos depois, Barker descreveu o resultado como desconectado em uma entrevista lembrada pela GQ. Essa distância ajuda a explicar as mudanças bruscas do álbum: guitarras e refrões de pop punk convivem com sintetizadores, atmosferas herdadas do Angels & Airwaves e arranjos menos imediatos do que os grandes sucessos do grupo.

Um disco de luto, isolamento e recomeço

“Ghost on the Dance Floor” abre o álbum com uma letra ligada à perda e conduz a uma sequência que inclui “Natives”, “Up All Night” e “After Midnight”. “Up All Night”, escolhida como primeiro single, recuperava uma ideia de guitarra iniciada antes da separação. Já faixas como “Heart's All Gone”, “Wishing Well” e “Kaleidoscope” expõem as diferentes direções que Hoppus, DeLonge e Barker haviam seguido em seus projetos paralelos.

A edição deluxe tem 14 faixas, quatro a mais do que a versão padrão. O título traduz a lógica do disco: cada integrante comparou suas influências a bairros distintos dentro de uma mesma cidade. A variedade não disfarçava o modo fragmentado de composição, mas tornou o álbum um registro fiel daquele ponto específico da relação entre os três músicos.

O lugar de Neighborhoods na trajetória do Blink-182

O retorno teve peso comercial. Neighborhoods estreou no segundo lugar da Billboard 200, com 151 mil cópias vendidas nos Estados Unidos em sua primeira semana. O número ficou abaixo dos maiores momentos da banda, mas confirmou que a reunião continuava relevante depois de quase uma década sem um álbum de inéditas.

A fase durou pouco. O Blink-182 ainda lançou o EP Dogs Eating Dogs em 2012, antes de uma nova saída de DeLonge em 2015. Por isso, Neighborhoods permaneceu durante 12 anos como o último álbum do trio clássico. Hoppus e Barker gravaram California e Nine com Matt Skiba, e DeLonge só voltou para One More Time..., em 2023.

Quinze anos depois, Neighborhoods documenta tanto a força quanto os limites daquela primeira reconciliação. O disco reuniu novamente os três integrantes e ampliou a linguagem do Blink-182, enquanto o próprio método de gravação revelava uma parceria que ainda não havia recuperado a proximidade de seus trabalhos anteriores.

Fontes consultadas