Cultura
Demissões em massa atingem Alternative Press, BrooklynVegan e Revolver
Cortes também alcançaram a Goldmine e levantam dúvidas sobre o futuro de veículos históricos da imprensa musical alternativa.

Alternative Press, BrooklynVegan, Revolver e Goldmine foram atingidas por demissões em massa nesta semana. Segundo uma apuração publicada pela Pitchfork em 5 de agosto, quase todos os profissionais das quatro marcas teriam sido dispensados no dia anterior pela Veeps, empresa que integra a Live Nation.
Até a publicação da reportagem, Veeps e Live Nation não haviam apresentado um posicionamento público sobre a extensão dos cortes ou sobre o futuro editorial dos veículos. A informação, portanto, deve ser tratada como uma história em desenvolvimento.
Quatro veículos históricos afetados
A reportagem da Pitchfork afirma que mensagens enviadas a profissionais do BrooklynVegan retornaram, com exceção do endereço do fundador Dave Levine. O episódio reforçou a percepção de que a redução alcançou a maior parte da equipe, embora a quantidade exata de demissões não tenha sido informada.
Os cortes atingem publicações com trajetórias diferentes, mas centrais para a cobertura de música alternativa, punk, metal e cultura de nicho. A Alternative Press foi fundada em Cleveland em 1985 e se tornou uma referência para sucessivas gerações do rock alternativo. O BrooklynVegan surgiu em 2004 e ganhou espaço pela cobertura de shows, lançamentos e cenas independentes. A Revolver acompanha o hard rock e o metal desde 2000, enquanto a Goldmine publica conteúdo voltado a colecionadores de discos desde a década de 1970.
Relação com Veeps e Live Nation
A Veeps foi criada por Benji e Joel Madden, do Good Charlotte, inicialmente como uma plataforma de transmissões pagas. A companhia foi adquirida pela Live Nation e expandiu sua atuação para conteúdo, comércio e mídia especializada.
Em sua página institucional para parceiros, a Veeps ainda apresenta Alternative Press, BrooklynVegan e Revolver como revistas editoriais capazes de conectar marcas a comunidades musicais específicas. A Goldmine também aparece em áreas do portfólio comercial da companhia.
As publicações haviam passado anteriormente pela Project M, empresa de mídia e comércio eletrônico que reuniu os títulos antes da transferência para a estrutura da Veeps. O histórico recente mostra uma concentração de veículos especializados sob empresas ligadas ao mercado de shows e entretenimento.
O impacto para a imprensa musical alternativa
As demissões não significam, por si só, que os quatro sites serão encerrados. As páginas permanecem acessíveis e não houve anúncio formal de fechamento. Ainda não está claro se os veículos continuarão produzindo conteúdo com equipes menores, recorrerão a colaboradores ou passarão por uma reorganização mais ampla.
O corte, porém, reduz a quantidade de jornalistas dedicados à cobertura cotidiana de artistas, cenas locais e lançamentos que frequentemente recebem pouco espaço na imprensa generalista. Para bandas independentes, selos, casas de shows e leitores, veículos especializados também funcionam como arquivos de movimentos culturais que poderiam desaparecer sem uma cobertura contínua.
A reação inicial incluiu críticas de profissionais ligados à música. O publicitário Jacob Daneman lamentou no X a perda da cobertura do BrooklynVegan e classificou a condução da Veeps como inadequada. Até que as empresas envolvidas detalhem seus planos, qualquer afirmação sobre encerramento definitivo ou substituição completa das redações seria prematura.
